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Sorocaba terá diagnóstico precoce de autismo

April 3, 2017

Daiane e os filhos Raul Augusto e Ramon - ALDO V. SILVA

 

Desde que o primeiro filho nasceu, Daiane de Souza Barros percebia algo diferente nele. Raul chorava demais e vivia irritado. O médico dizia que era normal. O bebê não mantinha contato visual com os pais, não brincava como as outras crianças e estava demorando para falar, mas o médico afirmava que cada um tem seu tempo. A descoberta do autismo veio depois de quatro anos, após Raul ter passado por oito pediatras. 

Segundo estudiosos, o Brasil é um dos países mais atrasados no que se refere ao Transtorno do Espectro Autista. Na França, um método desenvolvido há 20 anos, mostra que é possível ter um diagnóstico precoce, e com isso reverter o quadro. Hoje, no Dia Mundial de Conscientização do Autismo e Dia Municipal da Inclusão do Autista, Sorocaba recebe uma boa notícia: a partir de junho essa técnica inovadora chega na cidade, por meio da Associação Amigos dos Autistas de Sorocaba (Amas). 

A Associação promove hoje a 9ª Caminhada pela Conscientização do Autismo, que terá início às 9h, na pista do Campolim. Também hoje, será realizada outra caminhada de conscientização, no Parque das Águas, às 9h. A iniciativa é do Projeto Teacolho Autismo Sorocaba. Integrantes do projeto ficarão no parque até as 12h. Haverá distribuição de folhetos explicativos e brindes, cama elástica, piscina de bolinhas e palhaços da Cia. Anjos da Alegria. Interessados em participar devem ir com roupa azul, em sinal de apoio à causa. 

Diagnóstico precoce 

O professor Celso Goyos, docente do Departamento de Psicologia (DPsi) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que há 40 anos se dedica ao tema e aos procedimentos terapêuticos da Análise do Comportamento Aplicada ao Autismo (ABA), afirma que é possível amenizar, ou mesmo solucionar os prejuízos causados pelo autismo, quanto mais cedo o transtorno for identificado. 

A partir de junho, Sorocaba irá preparar profissionais das mais variadas áreas como pediatras, enfermeiros e educadores para identificarem o autismo nos bebês antes mesmo de completarem um ano. Conforme Jeane de Lima Collaço, diretora da Associação Amigos dos Autistas de Sorocaba (Amas), trata-se de um projeto inédito que está chegando à cidade. "Existe um projeto na França, há 20 anos, conhecido como Preaut. Algumas cidades do Brasil como São Paulo, Curitiba e Salvador já tiveram acesso a esse procedimento e agora a cidade também será beneficiada", comemora Jeane. 

A diretora da Amas explica que a psicóloga e psicanalista Rosana Warto Cyrineu foi estudar na França, se especializou no método e ficará responsável por capacitar os profissionais locais. Trata-se do projeto "Reconhecimento Precocíssimo em Bebês em Risco de Autismo". A medida, diz Jeane, pode melhorar e até reverter sinais de autismo. Essa capacitação será desenvolvida em parceria com a Secretaria de Igualdade e Assistência Social de Sorocaba. 

""Culpa da mãe"" 

As dificuldades de ter um filho com autismo são tantas quantas as alegrias. Mas a criança sofre muito e os pais também. Tudo por falta de informação da sociedade e, principalmente, dos médicos pediatras. A luta começa quando os pais identificam que há algo de diferente com a criança, buscam entender o que está acontecendo, mas sempre recebem como resposta uma palavra aparentemente tranquilizadora, de que está tudo bem, que cada um tem seu desenvolvimento, mas a situação vai ficando cada vez mais preocupante a cada fase que a criança destoa da maioria. Quando vem o diagnóstico, geralmente os pais já buscaram muito por uma explicação. 

Foi o que aconteceu com Daiane de Souza Barros. Teve o primeiro filho, o Raul Augusto, hoje com 7 anos, e de acordo com o médico tudo corria bem. Veio o segundo, o Ramon, hoje com 6 anos, e a mesma coisa, tudo em ordem. Mas ela sabia que algo estava acontecendo com as crianças. Depois de anos, o primeiro foi diagnosticado com autismo clássico e o segundo com autismo moderado. Ambos são assistidos pela Associação Amigos dos Deficientes (Amde), situada no Jardim Zulmira, em Sorocaba. No entanto, já foram prejudicados por não terem um diagnóstico precoce. As terapias que fazem na Amde estão ajudando em seu desenvolvimento, o que Daiane comemora, mas seus filhos conseguiriam melhor qualidade de vida se junto às terapias pudessem ter acesso a remédios que custam caro. Ela conta que já procurou diversos médicos, mas nenhum se dispôs a entrar com ela na batalha de solicitar à Justiça a medicação que contém canadibiol, que ajudaria muito seus meninos. 

Para além de tudo o que precisou e precisa vencer na área da medicina, Daiane tem de lidar também com o despreparo da sociedade. "Ainda tem gente que tira sarro, que quando vê a criança chorando fala que é culpa da mãe, que não dá limite, educação. Tenho de andar com o laudo deles na bolsa porque chegaram a reclamar e pedir para calar a boca da criança, exatamente com essas palavras", conta. 

Como o sentido dos autistas é mais aguçado, locais com muito barulho os incomoda e, por isso, ficam mais nervosos. Conforme Daiane, pesquisas apontam que o estresse que a mãe de uma criança autista passa é semelhante a um soldado na guerra. "É conviver com gritos constantemente. Eles também não têm noção de perigo, como mexer com faca ou fogo. Têm crises muitos fortes de comportamento, batem a cabeça, dão soco na cara, mordem a mão", diz. 

Por outro lado, são muito inteligentes. "Meu filho mais velho monta um quebra-cabeça de 70 peças sozinho, joga videogame. O Raul não fala, mas aquele olho fala mais que mil palavras. Esse amor que é além da vida é gratificante e é o que faz a gente lutar." 

 

Fonte: Cruzeiro do Sul

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